“Eu tenho medo de gato!” E o que isso tem a ver com yoga? Vem que te conto...
- yamyogabr
- 24 de out. de 2023
- 3 min de leitura

Tenho visto ultimamente que os bichinhos estão ganhando cada vez mais espaço em aulas ou estúdios de yoga. E não, não sou contra! Mas gostaria de compartilhar uma experiência recente para propor uma reflexão sobre o assunto.
Talvez nem todos aqui saibam, mas, sim, eu tenho medo de gato. Não sei explicar a exata razão disso, mas o fato é que desde sempre eu tenho um pânico, uma fobia. E isso veio parar dentro de uma aula de yoga...
O espaço que eu frequentava já há algum tempo passou a receber a visita constante de dois gatinhos. Apesar da dificuldade em dividir o ambiente com eles, fui levando... Comentei com alguns alunos, pedi ajuda certas vezes, estava me esforçando para seguir.
No entanto, em determinado dia, cheguei para a prática e um dos bichinhos estava dentro da sala. Ao entrar, meio sem graça, puxei papo com a professora sobre o assunto e falei da questão e do desconforto que sentia.
Foi então que comecei a ser questionada sobre os motivos do meu medo, recebi uma lista de benefícios em conviver com um gato, descrições de situações divertidas e outras coisas mais referentes ao tema. Até que eu deveria fazer terapia fui aconselhada.
Papo vai, papo vem, ainda com o gato na sala, fui convidada, junto aos outros alunos presentes, a me sentar, fechar os olhos e iniciar a prática com uma meditação guiada.
SENTAR E FECHAR OS OLHOS!?
Se você tem algum medo sabe que o mais difícil é se colocar numa situação vulnerável. Eu sentei, meio sem saber o que fazer, mas não tinha a menor chance de fechar os meus olhos. Meu coração disparava a cada pequeno movimento do gato. Comecei a suar frio.
Para piorar o cenário, o outro gato que circulava por ali também resolveu se juntar a nós. Pronto, foi ele entrar na sala para eu levantar do tapete e me preparar para fugir.
Uma aluna então tomou a frente da situação, gentilmente retirou ambos e fechou as portas (que usualmente ficavam fechadas por conta do barulho e movimentos externos). Assim seguimos.
Consegui me concentrar? Nenhum minuto! Meu corpo seguiu em um estado de “luta/fuga”, preparado para me tirar dali. A cabeça a mil. Fiz a aula em completo estado de alerta. O savasana mais desperto da minha vida, sentindo a presença dos gatos a cada segundo.
A aula terminou, peguei minhas coisas e sai. Desabei! Fui chorando para casa. Descarreguei todas aquelas emoções e sentimentos. Do medo, da raiva, da impotência em que me vi. Ali, naquele dia, me senti exposta, julgada e desrespeitada.
Eu podia ter levantado e me retirado da sala, eu sei. Mas na hora não soube o que fazer. Travei.
Mudei de turma, de professor, mas meu corpo não esqueceu o que tinha acontecido. Nunca mais consegui efetivamente relaxar e me entregar dentro daquele ambiente. Não consegui mais me soltar e me sentir à vontade. Acabei deixando de frequentar o espaço pouco tempo depois.
O que eu quero dizer com tudo isso? É que nós (e me incluo nessa!), como instrutores, como facilitadores da prática de yoga, também devemos estar atentos a esse tipo de situação. Novamente, não sou contra a presença de bichinhos dentro de espaços ou aulas, desde que quem estiver ali se sinta bem. Desde que isso seja divulgado e a pessoa possa escolher se deseja ou não participar.
Para mim um gato é um desafio, mas há diversos outros aspectos que podem gerar experiências negativas. Luzes apagadas, segurar o ar e prender a respiração, fazer determinada postura, ser tocada... Quando alguém vem até você e, como eu fiz, te diz que isso faz mal a ela, que não dá, o que você pode fazer para ajudar? Forçar a barra talvez seja a pior decisão.
O que eu proponho aqui é a reflexão sobre o ambiente que cada um de nós está oferecendo e proporcionando. Será que estamos conseguindo realmente respeitar as diferenças, as histórias de vida, as dores, traumas e experiências que chegam até nós?
Ah! A foto não é montagem. Sou eu mesma. Pouco tempo atrás colocando a mão em um gatinho com a ajuda de amigas. Tenho feito alguns trabalhos, muita terapia e tentativas na busca de vencer esse medo. No meu tempo, como parte do meu processo, em ambientes e com pessoas que me transmitem segurança.
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